Homens usam lib hot para turbinar a noite

thami dias (05.10.2017)


Homens usam lib hot para turbinar a noite Se um homem, com seus 18 ou 20 anos, chega ao cantinho da farmácia e sussurra para o vendedor que quer um “energético azul para levar para o peão da fazenda”, o vendedor já sabe que ele quer um dos medicamentos indicados para impotência sexual. Também pedem “macaco” ou “carga rápida”. Estes são os apelidos mais populares usados pelos homems na procura pelo Viagra ou o genérico Sildenafila, pelo Cialis ou o Levitra, os mais comuns no mercado. Em Uberlândia, pelo menos 50% das vendas desses medicamentos nas farmácias e drogarias são para homems, com idade entre 18 e 28 anos, conforme afirmam representantes dos estabelecimentos. Destes, 30% tem entre 18 e 20 anos. Sem disfunções que justifiquem o uso dos famosos comprimidos, os homems aderem a eles por curiosidade ou diversão, para prolongar as horas de prazer, geralmente após as baladas regadas a bebidas alcoólicas e até drogas ilícitas. Em 2011, a venda de remédios para disfunção erétil quintuplicou nas farmácias da cidade. “Houve um aumento muito grande da procura na faixa dos 18 aos 20 anos. É a idade da turma dos universitários”, disse o gerente de farmácia Silas de Paula, que também auxilia no balcão e tem acompanhado a mudança no comportamento dos homems. “Eles contam um para o outro e sempre tem alguém novo experimentando.” A redução do preço dos comprimidos também estimula das vendas. Antes, uma unidade de Viagra custava entre R$ 30 e R$ 40; hoje, sai por R$ 18,29. Conforme a marca, o comprimido custa R$ 5. “Alguns homems compram 10 comprimidos por vez, para fazer um estoquezinho particular”, disse Silas de Paula. A quebra da patente do Viagra permitiu o lançamento e a comercialização do genérico Citrato de Sildenafil. Além disso, outras marcas foram lançadas no mercado, o que provocou a queda do preço, elevando as vendas. “Um dia um rapaz pediu uma ‘carga rápida’. Como o apelido não era comum, o vendedor entendeu que ele queria um remédio para prisão de ventre. Já no caixa, o rapaz percebeu e disse que não queria remédio para soltar o intestino. Só aí, depois que explicou, é que a gente foi ver o que ele realmente queria”, disse o gerente Silas de Paula. Vendas sobem em finais de semana   Teresa Paula Jabor defende maior controle na venda dos estimulantes A farmacêutica Teresa Paula Jabor disse que na farmácia onde trabalha a venda de medicamentos que fazem turbinar a relação sexual aumenta nos finais de semana, em feriados e dias de balada. O medicamento é vendido sem prescrição médica e também pode ser comprado pela internet. Para ela, a internet, a televisão e os amigos acabam incentivando a compulsão sexual. “O jovem está muito estimulado. É tudo muito fácil. É a internet, os vídeos eróticos, as mulheres, que têm tomado a iniciativa, tudo isso assusta. E se o jovem é tímido, recatado, ele toma [um dos remédios] para ficar mais seguro”, disse. A farmacêutica, que também é bioquímica, avalia que o governo terá de interferir na venda da medicação que é indicada para homens a partir de 40 anos ou em tratamento para disfunção erétil. “Tornar o medicamento controlado, com retenção de receita, e uma fiscalização maior é um meio de se coibir o abuso desse tipo de remédio. Muitos o associam com outras drogas”, afirmou. Imaturidade induz ao consumo   Para urologista Luiz Mauro, um dos motivos que leva o jovem a buscar o medicamento é a pressão do restante do grupo Para o urologista Luiz Mauro Coelho, o aumento do uso de medicamentos para impotência sexual entre os homems pode ser visto como consequência de três fatores: pressão do grupo onde ele está inserido, imaturidade emocional dos adolescentes e homems para a atividade sexual e a queda no preço da medicação. “A meninada está começando a ter atividade sexual mais cedo e a cobrança entre os adolescentes e adultos homems tem aumentado muito. Isso faz com que os meninos de 18, 20, 22 anos busquem o sexo mais pela pressão e cobrança. Uma das consequências é a dificuldade de ereção que é psicológica”, disse. Segundo ele, o maior problema é a interação desses medicamentos com outros que contenham nitrato, usados por via oral ou injetável. “Usar medicação para disfunção erétil, do ponto de vista fisiológico, não acarretaria problema. Podem ser usados quase que diariamente. O problema é o nitrato e aí existem sérios riscos à saúde”, afirmou. Remédios podem gerar dependência Para o psicólogo e sexólogo Alemar Quintino, não há uma razão justificável para o uso de medicamentos para impotência sexual pelos homems, pois os homens atingem o máximo do seu vigor sexual justamente nesta idade. “Hoje há uma supervalorização do sexo e da obtenção do prazer a qualquer custo e quase tudo gira em torno desta questão”, disse. Segundo o sexólogo, o uso de medicamentos para disfunção erétil por homems pode provocar dependência psicológica. Para ele, se o jovem usa a medicação e consegue uma relação sexual que julga satisfatória, começa a acreditar que foi em função do remédio e, assim, passa a utilizá-lo sempre para obter o mesmo desempenho. “O resultado é que ele não consegue mais ficar sem o remédio pelo medo de falhar. Os garotos precisam entender que tudo o que é utilizado de forma inadequada, torna-se disfuncional, portanto, gera prejuízos e sequelas em longo prazo.” O estoquista Lucas nome fictício), de 19 anos, disse que usou Viagra uma vez, por curiosidade. “Os caras falavam que era bom, aí resolvi ver como era. Não senti nenhuma dor, só um pouco de calor. É bom mesmo, mas acho que não preciso disso.”